Compras compulsivas

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Conheço muita gente ansiosa esperando pela chegada da sexta-feira. O motivo? A tal da black friday, claro. Alguns amigos fizeram inclusive uma listinha dos produtos que querem comprar, e passaram a semana pesquisando preços, nas lojas físicas e virtuais, para aproveitar as melhores ofertas. Este dia especial de compras a preços competitivos nasceu nos Estados Unidos, e tem data certa pra acontecer: um dia após o tradicional feriado de Ação de Graças, e marca o último final de semana antes da abertura de compras para o Natal. Só que muitas lojas estão anunciando a “sexta-feira negra” há dias, jurando que os preços realmente baixaram, embora todo mundo saiba que muitas destas ofertas são verdadeiras armadilhas para os consumidores.

O que quero comentar aqui não é se a black friday vale a pena ou não, mas como as pessoas reagem a estes estímulos de consumo. Há, inclusive, um nome para este estudo: ‘Economia Comportamental’. Carol Franceschini, especialista na área e sócia da consultoria InBehavior Lab., diz que palavras como “liquidação”, “oferta”, “promoção” e “oportunidade única”, muitos usadas durante a black friday, tendem a induzir os consumidores a agirem mais rápido e sem muita ponderação. Outras associações comuns dessas palavras são com termos como “imperdível”, “aproveite agora”, e “não perca”. Todos eles aumentam a probabilidade dos consumidores agirem impulsivamente.

Os possíveis compradores também sabem que a black friday termina em seguida, e, segundo a especialista, isso causa uma pressão muito grande. “As pessoas têm aversão a perdas, e acreditam que não agirem imediatamente poderão estar perdendo uma excelente oportunidade de negócio, e ninguém gosta de perder”, explica Carol. O que acontece, na maioria das vezes, é que o consumidor acaba usando o dinheiro que seria destinado para outros fins para pagar por esse consumo impulsivo. Ele tem medo de perder uma oportunidade que parece ser “única” e de se arrepender mais tarde. Na prática, porém, muitas vezes acontece justamente o contrário: a pessoa se arrepende, depois, de ter comprado por impulso algo que não estava de fato precisando.

Existe mais uma questão a ser analisada: o chamado efeito manada. Se muitas pessoas estão comprando na black friday, você pode se sentir impelido a comprar também. Especialmente se são pessoas próximas como nossos amigos, colegas de trabalho e familiares e começam a comentar sobre seus “grandes” negócios. O risco é acabarmos comprando bens que, apesar de desejados, não são fundamentais e estão fora de nosso orçamento, e que não teríamos adquirido se não fosse esse bombardeamento tão intenso de propagandas (e que nem sempre correspondem à realidade).

 

Fonte: http://dc.clicrbs.com.br/sc/colunistas/noticia/2016/11/compras-compulsivas-8454547.html

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